quarta-feira, 19 de outubro de 2011

I Reunião do Comitê de Negociações MERCOSUL-Palestina - Comunicado Conjunto


Delegações do MERCOSUL e da Palestina reuniram-se em Ramalá, nos dias 16 e 17 de outubro, com o objetivo de avançar substancialmente na finalização de um Acordo de Livre Comércio. A delegação palestina foi chefiada pelo Dr. Hasan Abu Libdeh, Ministro da Economia Nacional, e a do MERCOSUL pela Senhora Valeria Csukasi, Diretora de Integração do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai.
A negociação desse Acordo reflete o apoio dos países do MERCOSUL a uma Palestina independente e economicamente viável, coexistindo em paz com todos os seus vizinhos.
Durante a reunião, os dois lados revisaram o projeto de Acordo de Livre Comércio entre o MERCOSUL e a Palestina e coincidiram no objetivo de assinar o Acordo durante a Cúpula do MERCOSUL, a realizar-se em Montevidéu, em dezembro de 2011. O lado palestino anunciou que o Presidente Mahmoud Abbas comparecerá à Cúpula.
Os dois lados reconheceram a importância de aperfeiçoar as relações comerciais e econômicas entre o MERCOSUL e a Palestina, bem como de compartilhar experiências em matéria de desenvolvimento econômico e de cooperar na área de capacitação.
O Dr. Abu Libdeh destacou que a conclusão desse Acordo com os membros do MERCOSUL, a quinta maior economia do mundo, é muito importante e contribuirá para a construção institucional na Palestina.
A Presidência do MERCOSUL expressou reconhecimento pela hospitalidade do lado palestino e sua contribuição para o resultado exitoso da reunião.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Lobby sionista nos EUA por trás da acusação contra o Irã


Agência de Notícias de Ahlul Bait (ABNA) — "Apesar da impertinência e da falsidade da afirmação, não se deve descartar a influência do poderoso lobby judeu sionista nesta nova ofensiva e complô contra o Irã", disse o analista político Ismaíl Salami.
O analista político chegou a dizer que essa medida é parte de uma manobra dos EUA, que pretende novamente satanizar o Irã
Nesta terça-feira, o Departamento de Justiça dos EUA acusou o governo do Irã de participar de um complô para assassinar o embaixador do Reino da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, em Washington, com a suposta ajuda de um membro do cartel de drogas mexicano.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, exortou as outras nações a unirem-se aos EUA na condenação a “esta ameaça à paz e a segurança internacional”.
Salami descreveu as observações feitas por Clinton como comentários que buscam reforçar a “iranofobia” no mundo.
As últimas acusações procedentes dos EUA, um incondicional aliado de Israel, que nos últimos anos tem idealizado e financiado numerosos complôs contra o Irã, incluindo o assassinato seletivo de cientistas iranianos.
O ex governador de Minnesota, Tm Pawlenty, admitiu os complôs nascidos no Ocidente contra o Irã, elogiando o governo dos EUA por suas “boas obras” no assassinato de cientistas iranianos.
O analista explicou que o governo norte-americano tenta utilizar a denúncia – um factóide – para pressionar a comunidade internacional para adotar novas sanções contra o Irã.
Referindo-se ao histórico de complôs encobertos pelo governo dos EUA e Israel no Irã, Salami afirmou que o governo imperialista e a entidade sionista cometeram atos incríveis de terror contra a nação iraniana ao longo das últimas décadas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Israelenses incendeiam mais uma mesquita na Palestina


Colonos israelenses (na maioria estrangeiros) atearam fogo a uma mesquita (igreja muçulmana) nesta segunda-feira na aldeia de Alta Galiléia, na Palestina ocupada.
O atentado terrorista faz parte da campanha criminosa levada a cabo pelo governo israelense para ocupar os territórios palestinos com colonos estrangeiros, na maioria sectários, radicais sionistas, em resposta à decisão da Autoridade Palestina de submeter o reconhecimento do Estado Palestino na ONU, onde conta com o apoio declarado da esmagadora maioria dos países.
Tentando fingir descontentamento com mais um ato terrorista por parte dos israelenses, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que condenava a ação dos colonos israelenses que incendiaram a mesquita, destruindo livros sagrados e pichando as paredes com palavras ofensivas aos árabes. Ataques desse tipo tem sido frequentes,tendo sido realizados recentemente em mesquitas na Cisjordânia.
A líder da oposição, Tzipi Livni, disse hoje que o ato covarde deve ser condenado. "Incendiar mesquitas contradiz os valores de Israel como Estado judeu", disse ela. "Tais incidentes graves nos obriga a realizar um auto-exame nacional." As palavras de Netanyahu e Tzipi não passam de hipocrisia, golpe de mídia para tentar minimizar os efeitos do fato junto à opinião pública mundial, acostumada a assistir quase que diariamente ações desse tipo por parte dos israelenses.

O árabe-israelense Ahmed Tibi MK (Ra'am Ta'al) respondeu furiosamente ao ataque, dizendo: "quem não parar este crescimento canceroso de queimar mesquitas nos territórios ocupados não deve se surpreender se esse tipo de câncer se espalhar também em Israel."

Tibi declarou que o ataque não pode ser considerada parte da política de Estado israelense, mas deve ser encarado como o trabalho de terroristas judeus. Ele disse que osautores do ataque devem ser levados à justiça: "Devemos manter nosso repúdio a mais este ato terrorista por um lado, e por outro lado, reconstruir a mesquita o mais rápido possível."

Meretz Zehava Galon também pediu ação do governo: "Devem ser tomadas medidas contra quem seja responsável pela destruição da mesquita. Este é o resultado da impotência das autoridades em controlar os rabinos radicais e extremistas".

Kadima Otniel Schneller, morador do assentamento Ma'ale Micmás, também condenou os autores do ataque: "não são de ativistas: são terroristas”.

Embora todos concordem que tratou-se de mais uma ação terrorista contra os palestinos nativos da região, o governo israelense continua incentivando e financiando a ocupação de territórios palestinos por colonos judeus estrangeiros, ou seja, continua incentivando e praticando o terrorismo contra os palestinos.

Israelenses incendiam mesquita na Palestina

Colonos israelenses (na maioria estrangeiros) atearam fogo a uma mesquita (igreja muçulmana) nesta segunda-feira na aldeia de Alta Galiléia, na Palestina ocupada.
O atentado terrorista faz parte da campanha criminosa levada a cabo pelo governo israelense para ocupar os territórios palestinos com colonos estrangeiros, na maioria sectários, radicais sionistas, em resposta à decisão da Autoridade Palestina de submeter o reconhecimento do Estado Palestino na ONU, onde conta com o apoio declarado da esmagadora maioria dos países.
Tentando fingir descontentamento com mais um ato terrorista por parte dos israelenses, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que condenava a ação dos colonos israelenses que incendiaram a mesquita, destruindo livros sagrados e pichando as paredes com palavras ofensivas aos árabes. Ataques desse tipo tem sido frequentes,tendo sido realizados recentemente em mesquitas na Cisjordânia.
A líder da oposição, Tzipi Livni, disse hoje que o ato covarde deve ser condenado. "Incendiar mesquitas contradiz os valores de Israel como Estado judeu", disse ela. "Tais incidentes graves nos obriga a realizar um auto-exame nacional." As palavras de Netanyahu e Tzipi não passam de hipocrisia, golpe de mídia para tentar minimizar os efeitos do fato junto à opinião pública mundial, acostumada a assistir quase que diariamente ações desse tipo por parte dos israelenses.

O árabe-israelense Ahmed Tibi MK (Ra'am Ta'al) respondeu furiosamente ao ataque, dizendo: "quem não parar este crescimento canceroso de queimar mesquitas nos territórios ocupados não deve se surpreender se esse tipo de câncer se espalhar também em Israel."

Tibi declarou que o ataque não pode ser considerada parte da política de Estado israelense, mas deve ser encarado como o trabalho de terroristas judeus. Ele disse que osautores do ataque devem ser levados à justiça: "Devemos manter nosso repúdio a mais este ato terrorista por um lado, e por outro lado, reconstruir a mesquita o mais rápido possível."

Meretz Zehava Galon também pediu ação do governo: "Devem ser tomadas medidas contra quem seja responsável pela destruição da mesquita. Este é o resultado da impotência das autoridades em controlar os rabinos radicais e extremistas".

Kadima Otniel Schneller, morador do assentamento Ma'ale Micmás, também condenou os autores do ataque: "não são de ativistas: são terroristas”.
Embora todos concordem que tratou-se de mais uma ação terrorista contra os palestinos nativos da região, o governo israelense continua incentivando e financiando a ocupação de territórios palestinos por colonos judeus estrangeiros, ou seja, continua incentivando e praticando o terrorismo contra os palestinos.

domingo, 2 de outubro de 2011

Cobaias humanas: Israel testa suas novas armas em crianças palestinas


Médicos denunciam que Israel testa suas novas armas na população da Faixa de Gaza, provocando mutilações, queimaduras e ferimentos

O garoto de 13 anos joga futebol com os amigos na tarde ensolarada. De repente, aviões israelenses surgem no céu. Os meninos não têm tempo nem de correr: um míssil cai sobre eles.

A ambulância chega rapidamente e os leva ao hospital Al-Shifa, o maior da Cidade de Gaza, a capital da Faixa de Gaza. Alguns dos garotos estão inconscientes. Outros estão mortos.

Dias depois, o médico Ayman Al Sahbani, diretor do departamento de emergências do hospital, mostra o menino de 13 anos na cama de um cubículo cheio de aparelhos médicos. Vários pontos do corpo, todo coberto por faixas brancas, estão plugados nos aparelhos (foto abaixo). Uma perna apoia-se numa espécie de mesinha de ferro. Os braços estendem-se ao lado do corpo. Só os braços. As mãos foram perdidas no ataque israelense.

“Quando o pessoal do socorro o trouxe, pensei que ele estivesse morto. Então o ouvi gritar: ‘Ai, mamãe!’. Levei-o de imediato para a sala de cirurgia e o operei. Várias vezes. Já faz cinco dias, e ele continua vivo. Tem queimaduras terríveis e estilhaços de metal por todo o corpo. Será que vai poder jogar futebol de novo? Não tenho ideia.”

Ninguém sabe quem é o garoto. E essa é uma situação comum nos hospitais. Os feridos chegam, queimados, mutilados, os corpos perfurados por pedaços de metal, e são atendidos por médicos e enfermeiros exaustos, angustiados, tentando fazer com que o pouco material de que dispõem seja suficiente para todos.

Novas armas

Ali, no setor de emergência cheirando a antisséptico, o ruído dos ventiladores mistura-se ao bipe dos monitores e aos passos apressados dos profissionais cuja tarefa é salvar as vidas daqueles que chegam. A identidade dos feridos é o que menos importa nessa hora.

“As vítimas, em sua maior parte, são mulheres e crianças”, explica o médico Al Sahbani. “Vítimas civis”, ressalta. “Chegam aos pedaços, alguns queimados de tal modo que se tornam irreconhecíveis. Há 20 crianças aqui, com ferimentos que nunca vi, nem na Operação Chumbo Fundido, quando observei pela primeira vez as queimaduras provocadas pelo fósforo branco. As armas de agora são piores, causam lesões terríveis, despedaçam pés, pernas, mãos, enchem os corpos com centenas de pequenas peças de metal.”

Operação Chumbo Fundido foi o nome dado aos ataques israelenses contra a Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que causaram cerca de 1.500 mortes, em sua grande maioria, de civis.

Al Sahbani continua, depois de uma pausa: “Meu filho de 11 anos me pergunta por que isso acontece, por que Israel nos ataca assim. O que posso responder a ele?”.

Uma das respostas possíveis seria cruel demais para uma criança: Israel está testando, mais uma vez, suas novas armas em alvos vivos. Em seres humanos que há mais de 60 anos vivem sob ocupação israelense, e que antes disso sofreram massacres e expulsões, e viram suas casas e cidades serem destruídas ou tomadas por grupos paramilitares sionistas.

Como lembrou o diretor do departamento de emergências do hospital Al-Shifa, não é a primeira vez que essas substâncias são experimentadas na população de Gaza. Israel admitiu o uso do fósforo branco em 2006 e em 2008- 2009, na Operação Chumbo Fundido. O que os sionistas não contaram, porém, foi a adição de metais tóxicos ao fósforo branco.

Metais cancerígenos

Mas o New Weapons Committee (NWRG), grupo de pesquisadores, acadêmicos e profissionais de mídia que estuda os efeitos das novas tecnologias de guerra, descobriu e divulgou. Embora a mídia corporativa não tenha dito uma única palavra sobre isso, o relatório do NWRG foi publicado em maio de 2010 e está à disposição de quem quiser consultá-lo:www.newweapons.org/files/20100511pressrelease_eng.pdf.

Autora: Baby Siqueira Abrão
Publicado no Jornal Brasil de Fato

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

El desprecio de Obama y el silencio de los árabes


Agencia de Noticias de Ahlul Bait (ABNA) — Los israelíes están muy satisfechos y afirman que nunca hubo un presidente estadounidense tan “sionista” (Yediot); que su discurso merecía “una medalla de honor” (Netanyahu); que “éste es el mejor discurso que pronunció "(Liebermann); “como si hubiera sido enviado por fax desde la oficina de Netanyahu ... adoptó la narrativa de Israel al pie de la letra, la de un pueblo amenazado por sus vecinos, que soportó el sufrimiento durante miles de años y el Holocausto” (Yediot también); que “Obama dijo lo que los israelíes querían oír” (Jerusalem Post); que Obama es ahora “el embajador de Israel ante las Naciones Unidas” (Ron Dermer, asesor de Netanyahu); que “les dijo a los palestinos de que su mano está extendida a Israel y no a ellos.”

Y por si fuera poco, por parte del lobby sionista estadounidense se produjo la entronización del presidente estadounidense, hecha a través del periódico New York Magazine, que publicó una foto de Obama con una kipa y el titular “Obama, el primer presidente judío”.

Por el lado palestino se dijeron, entre otras cosas, que “éste es el peor discurso estadounidense sobre el conflicto árabe-israelí” (Zakaria Al Aga, un dirigente de Fatah); que “suscita asco e ira” (editorial de Al Ayyam); que “EEUU es la cabeza de serpiente” (lema de los manifestantes en Ramallah); que “42 vetos de EEUU en la ONU han permitido a Israel continuar imponiendo el apartheid en la región” (Ministerio de Información Palestino) etc,

En la prensa, el diario libanés As Safir calificó el discurso de la siguiente manera “el más hipócrita e insidioso ... el más conciliador con Israel en la historia del oportunista Obama ... Obama es un soldado del ejército israelí.”

En el periódico Al Hayat, el énfasis se pone muy suavemente en “la decepción árabe, que es poco decir frente a las parciales posturas estadounidenses en favor de Israel. EEUU debe ser consciente de que existe un vínculo entre la causa palestina y la dignidad árabe”.

Otro artículo de periódico pro saudí habla del “daño” que supone para las relaciones de EEUU con los árabes la amenaza de Obama de utilizar el veto y de la “humillación” que para los árabes que supone su apoyo a la posición israelí.

Pero a nivel oficial, hubo un silencio mortal. Ninguno de los presidentes, reyes, emires, ministros de Exteriores o embajadores presentes en el foro internacional o en otra parte dijeron una palabra sobre el discurso de Obama.

Sólo la Liga Árabe habló, y para lo que dijo habría hecho mejor en callarse.

La Liga se contentó con la mera repetición de sus posiciones obsoletas e impotentes. “La posición de los EEUU es injusta, alienta el extremismo israelí, apoya al verdugo en contra de la víctima, hace que Washington pierda su credibilidad y refuerza el extremismo en la región”, dijo su vicepresidente, Mohammad Sobhi. “Este discurso nos ha sorprendido”.

Así, después de 63 años de apoyo incondicional de EEUU a Israel, de identificación entre la política exterior estadounidense y la política interna israelí, de generosidad militar y financiera sin límites, de apoyo a las masacres israelíes, de colaboración científica, económica y de inteligencia entre estadounidenses e israelíes, etc ... los árabes se permiten estar sorprendidos y decepcionados. Los datos más recientes no eran más alentadores y nada permitía ver una postura diferente de parte del presidente estadounidense.

Tras su promesa de un Estado palestino y la puesta en marcha de las negociaciones, Obama no hizo nada para impedir que los israelíes continuaran construyendo sus asentamientos en Cisjordania y Jerusalén Este (Al Quds), es decir, las regiones que deberían ser, según la ONU, parte del Estado palestino. Esto demostró que su promesa no era más que palabras vacías.

La postura estadounidense real quedó expresada con franqueza en los últimos tiempos por medio de amenazas sobre la imposición de veto y las presiones a los palestinos para que regresaran a las negociaciones.

Más que nunca, el desprecio de Obama golpea a los aliados árabes de los norteamericanos por haber confiado simplemente en sus promesas. Por el contrario, los que nunca creyeron a la administración estadounidense han visto sus sospechas confirmadas.

“El confiar en los norteamericanos nos lleva al fracaso,” señaló un portavoz de Hamas. Durante 63 años, el campo de la resistencia no cesa de repetirlo ... las experiencias no cesan de confirmarlo ... y los regímenes árabes no cesan de sorprenderse”.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Palestina, ok. Mas Israel risca o limite, em Jerusalém



Robert Fisk, The Independent

Carregam com elegância as próprias feridas, os prédios da velha “linha verde”. Esqueçam os hotéis da nova Jerusalém, do outro lado da estrada, a linha de trem urbano de alta tecnologia, última moda, que brilha trilhos abaixo; só considere os buracos de balas nas paredes da esquerda, os estilhaços ainda encravados na fachada preservada do que foi um dia um bunker do exército de Israel, e é hoje a pequena galeria de arte de Raphie Etgar.

Ainda se pode caminhar entre os abrigos enferrujados, do outro lado da estrada. A cem metros dali ficava a Legião Árabe. A cem metros daqui, era a fronteira da Jordânia.

Essa é a “linha” [ing. border] de 1967 para trás da qual Mahmoud Abbas insiste que os israelenses devem retroceder, a “fronteira” [ing. frontier] que Bibi Netanyahu considera “vulnerável” demais para voltar a ela, em seja qual for o tratado de paz. Deixem que algum exército volte ao outro lado da estrada, e Jerusalém estará outra vez dividida e não será a “capital eterna unificada” de Israel. Deixem que os israelenses mantenham a anexação ilegal da mesma terra, e Jerusalém Leste jamais será a “capital” da Palestina. As aspas são indispensáveis, como em “paz”.

A arte que se vê no “Museu da Junção” [ing. Museum of the Seam[1]] – “junção” é uma espécie de palavra substituta de “linha” (que Israel não reconhecerá), mais ou menos como “assentamento” [orig. settlement] é substituta necessária de “colônia” [ing. colony]” – trata de guerra e paz, de Bagdá e do 11/9, de suicidas-bombas, uma assustadora e altamente efetiva colagem de braços e pernas, plástica e claramente amputados, até um rifle AK-47, e uma fábrica Chaplinesca, à Tempos Modernos, de engrenagens de caligrafia islâmica [orig. and a Charlie Chaplin factory of cogwheels of Islamic calligraphy (?)].

De certo modo, nem surpreende encontrar o diretor de arte e curador chefe empoleirado no telhado, pequeno, de óculos de armações grossas e respiração pesada, enquanto fala sem parar sobre os temas que lhe parecem mais caros ao coração: arte, oportunidades perdidas, esperança e desespero potencial, tudo misturado com alguma obstinação de criança teimosa. Raphie Etgar foi comandante de tanque, combateu em duas guerras – em 1967 no Sinai, em 1973 no Golan – e na sangrenta batalha de Karameh (da qual quanto menos se falar, melhor) e “vi a morte de perto e perdi alguns amigos”.

Mas chega de falar de guerra e paz. “O fato de nosso museu estar localizado sobre a ‘junção da linha verde’ [orig. ‘green line seam’] é significativo, claro, mas é mais uma ‘junção’ conceitual. Não estamos instalados aqui por acaso, mas queremos transmitir uma mensagem. Preferimos manter a ‘junção’ em contexto mais amplo. Na exposição, lidamos com o choque de civilizações – gostaria que os visitantes vissem isso no contexto de Oriente e Ocidente.”

Não tenho muita certeza de que a linha de 1967, logo à frente da janela às costas de Raphie Etgar, contenha algum tipo de lição sobre o mundo. A Europa não está em guerra para apossar-se de Londres ou Paris só para si e para mais ninguém. E Israel, com certeza, quer Jerusalém só para si. Mas o problema é que o ex-comandante de tanque crê que nós europeus partilhamos Londres e Paris com nossos imigrantes muçulmanos sem, por isso, nos sentirmos obrigados a entregar-lhes nossas capitais.

Difícil definir o homem. É de esquerda, com certeza. É homem de princípios morais, com certeza. Lê o Haaretz, parece-me. Absolutamente não nutre nenhuma espécie de amor pelo primeiro-ministro de Israel, depois do que disse em New York sobre algum estado para os palestinos. “Estava frente à televisão e tentei ouvir um pouco menos ‘de cima para baixo’ o que diziam os dois líderes. Netanyahu saiu-se melhor. É melhor ator. Sabe dar seu show e, se não souber que ele está sempre jogando o mesmo jogo, você talvez se sinta tentado a acreditar no que ele diz. É o melhor acrobata em todo o Oriente Médio.”

“Depois, veio o presidente palestino, que acabou com qualquer esperança que eu ainda tivesse de que ele abriria a porta e não repetiria as acusações de sempre. Tínhamos uma chance, as pessoas poderiam sentar e tentar encontrar algo de novo. Mas foi só repetição do mesmo velho jogo, Netanyahu com seus contorcionismos e aquela voz de quem não diz a verdade. Acredito mais numa peça de Shakespeare, do que nessas pregações.”

Perguntei que personagem shakespeareano ele entregaria a Netanyahu. Ele disse “Brutus”, eu sugeri o Rei Lear; pensei, mas não disse, que muitos chefes do partido Likud tratam os palestinos como Calibãs. “Acho que o cansaço, que é muito, por aqui, acabou com a esperança das pessoas” – diz Etgar. “E aí vem a força, em vez da esperança.”

A ideia dele – tanto quanto consigo sintetizá-la – é que Israel deve preparar-se para partilhar sua terra enquanto está mais forte, em vez de adiar para quando já não tiver tanta “força”. E há “regras para negociar” – é preciso tratar com respeito os outros povos.

Etgar, então, permitiria que os palestinos tivessem sua capital em Jerusalém Leste, e Israel, na parte oeste da cidade? Dessa vez, nenhuma hesitação. “Se eu estivesse no poder”, diz ele de repente, “eu não dividiria – eu, não. Acho que, aí, os palestinos tocam num ponto muito, muito sensível.”

“Devem conseguir a ‘Palestina’, como país, como lugar para viver. Deem a eles a Cisjordânia – mas não esqueçam coisas muito sensíveis e básicas e significativas para a nação judaica. Eles devem reconhecer a identidade judaica dessa terra [Israel]. Acho que, se se tratasse de Ramallah, não deixariam por menos”.

Percebo que, em algum ponto da conversa, nos afundamos num precipício. Etgar fala de partilhar “um sentido de direitos humanos”, mas em Jerusalém há muitas “pedras que sangram”. Palestinos e árabes têm de aceitar um “quarteirão” muçulmano-árabe na parte leste de Jerusalém. “Há muitas cidades com ‘quarteirões’. Mas vir e declarar que ‘aqui será a capital da Palestina’?! A história da minha própria família exige. Ninguém conseguirá arrancar isso dos ossos de todos os que estão enterrados aqui.”

Subo até a janela de vigia, no telhado, de onde vejo o Monte Scopus e o Monte das Oliveiras. É possível que, algum dia, tenha parecido boa ideia voltar para a “linha verde”, Raphie Etgar dissera antes de eu sair. “Mas o tempo mudou as coisas”.

Ah, a história – sempre culpada, sempre estendida como um tapete sobre Jerusalém. Na saída, tentei fechar a grade do poço da escada. Não pude. Estava fundida à parede, congelada no tempo, desde 1967.


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[1] Na página do museu, em http://www.coexistence.art.museum/Coex/Index.asp lê-se Seam - Coexistence. Todas essas denominações são tão traduzíveis quanto intraduzíveis. Traduzir seam por “coexistência” é traduzir para o idioma universal da ocupação israelense da Palestina, que é uma construção de propaganda. Seria como ‘traduzir’ “Coca-Cola” por “Isso é que é”, ou “McDonald” por “Amo muito tudo isso”, como traduzem-se os spots de publicidade, e pretender que seria tradução para o português do Brasil [NTs].

Tradução: Vila Vudu